Introdução
Conto: O Dia Fora do Tempo
Há muito tempo atrás, quando a chuva ainda molhava a pele e o sol esquentava os cabelos, dois Xamãs de tribos diferentes se encontraram para consagrar um novo mistério da natureza.
Um havia descido às profundezas da Amazônia e de lá trouxe uma folha mágica que cheirava a terra molhada e sussurrava quando o vento passava. O outro havia subido tão alto nas copas que seus pés esqueceram o chão: de lá trouxe um cipó sagrado que se enrolava como cobra adormecida e pulsava como coração vivo.
Buscaram um ao outro porque a Mãe havia lançado sobre seus clãs um desafio que nenhum dos dois conseguia carregar sozinho.
A tribo do chão passava por uma epidemia de pesadelos. Todas as noites ao fecharem os olhos, viam meteoros rasgando o céu em chamas - acordavam com o peito aflito e o medo estava presente em cada passo que davam em seus dias. Uma criança parou de dormir. Um ancião chorava antes mesmo de anoitecer. O dia virou refúgio e a noite virou inimigo.
A tribo do céu havia acordado com alergia do mundo verde. A pele ardia ao tocar qualquer folha. O pulmão queimava com o próprio ar da floresta. Quando tocavam os pés na terra do chão, perdiam todo o equilíbrio do coração. Como se o chão os rejeitasse, como se a natureza tivesse esquecido seus nomes - viviam suspensos entre o céu e a terra, sem pertencer a nenhum dos dois.
Assim, os dois curandeiros mandaram construir uma casa na água, no meio do rio que dividia o território de cada tribo, onde nenhuma lei vigorava e nenhum pássaro pousava sem permissão. Era um lugar que não pertencia nem ao chão, nem ao céu, nem ao tempo. Pertencia apenas àquele encontro e à criação de uma nova vacina herbal.
Quando adentraram aquela casa, o dia se tornou noite. A floresta se silenciou. Todos os animais, todos os homens e todas as plantas observavam de longe, pois sabiam que algo estava nascendo naquele dia fora do tempo.
Dentro, os dois Xamãs não falavam a mesma língua mas respiravam a mesma vocação. O cipó sagrado, encontrado na altura dos céus, exigia a força bruta da terra, o rugido do pulmão, o tremor das mãos, o machado de pedra que partia a raiz. As folhas mágicas pediam o oposto, a leveza, o sopro, a mão que toca sem pesar. Durante horas que se estenderam em semanas dentro de um único dia, os dois ficaram em silêncio, de costas um para o outro, habitando o conhecimento alheio - onde aprender o outro era a única forma de se completar.
Sopros, borbulhos, lenhas crepitando, batidas e terremotos podiam ser ouvidos dentro da casa na água até que enfim o trabalho se encerrou e os dois Xamãs abriram um novo portal - transformando a mais longa das noites em um amanhecer de pura adoração.
O que carregavam nas mãos ainda não tinha nome. Era cipó e folha, céu e chão, força e delicadeza fermentados na mesma panela. Uma vacina herbal, não contra uma bactéria ou um vírus, mas contra o esquecimento: o esquecimento de que o homem pertence à terra, de que o céu não é distante, de que o medo pode ser atravessado. Era a medicina que a Mãe escondera para que só pudesse ser encontrada quando dois opostos aceitassem se sentar juntos na água.
Deram a beber para a criança que havia parado de dormir. Deram a beber para o ancião que chorava antes de anoitecer. Deram a beber para os que ardiam ao tocar a terra.
E a floresta, que havia ficado em silêncio por semanas, voltou a cantar.
O que nasceu naquele rio, naquele dia fora do calendário, carrega até hoje o nome que a água escolheu.
Ayahuasca.
Introdução
Nesse artigo, a Agency Brasil apresenta um guia compreensivo acerca das principais dúvidas por trás da cultura da Ayahuasca, explorando desde as raízes históricas da bebida até os segredos do seu preparo, os efeitos biopsicossociais no organismo, o debate científico atual sobre o assunto e os detalhes da prática ritual que levantamos com uma pesquisa de campo.
A Ayahuasca é originária da Amazônia, o bioma mais rico da América do Sul e o ambiente com maior biodiversidade do planeta: abriga cerca de 10% de todas as espécies vivas da Terra, concentra o maior volume de água doce superficial do mundo, reúne mais de 390 bilhões de árvores de aproximadamente 16 mil espécies diferentes, abriga entre 5.000 e 10.000 mil plantas com potencial farmacêutico e ainda guarda mais de 100 povos indígenas que nunca tiveram contato com a sociedade não indígena. 1
Foi nesse ambiente singular que os povos originários latinos encontraram um enteógeno capaz de ensinar sobre a origem da vida, acolher a alma e abençoar o corpo humano com uma verdadeira renovação do ser e com a busca de um significado profundo da existência. Estudar a Ayahuasca é o primeiro passo para compreender seu impacto na história do povo latino-americano, sua relação com a ancestralidade do nosso continente e principalmente, a importância histórico-cultural-espiritual que ela assumiu para a nação brasileira.
O que é a Ayahuasca?
Etimologicamente, o termo Ayahuasca é originário do dialeto andino quéchua, formado pelas expressões aya (almas ou espíritos) e huasca (cipó), podendo ser traduzido como “cipó das almas” ou “cipó dos espíritos” - denominação que coexiste com inúmeros outros nomes regionais, como natema, yagé, caapi, nixi pae, daime e vegetal, que variam conforme o contexto cultural, geográfico e religioso. Ela é utilizada há séculos por povos ameríndios da Amazônia em países como Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Brasil. A bebida chegou aos centros urbanos brasileiros no início do século XX, durante o ciclo da borracha, dando origem às primeiras religiões ayahuasqueiras, entre elas o Santo Daime, fundado por Raimundo Irineu Serra em Rio Branco, no Acre. 2
A Ayahuasca é considerado um enteógeno, termo que se origina do grego, entheos (“Deus dentro”) e gen (“tornar-se”), remetendo àquilo que “gera o divino internamente”. Ela é preparada a partir da decocção do cipó Banisteriopsis caapi, o jagube - e das folhas do arbusto Psychotria viridis, a chacrona. A folha libera DMT, que é o princípio ativo do chá. O cipó libera β-carbolinas como a harmina, harmalina e tetrahidroharmina, que inibem a enzima MAO-A no trato gastrointestinal, que degrada o DMT presente nas folhas. A mistura faz com que o DMT dure mais tempo no organismo e viabiliza sua chegada ao cérebro, onde atua em receptores serotoninérgicos (5-HT2A), produzindo estados alterados de consciência ligados ao processamento emocional e à introspecção.
Trata-se, portanto, de uma combinação sinérgica e indissociável, pois sem as β-carbolinas do jagube, o DMT da chacrona seria degradado antes de exercer qualquer efeito. Essa interdependência bioquímica reflete, em nível molecular, a mesma lógica de integração que caracteriza o uso ritual da bebida: a experiência com a Ayahuasca não se reduz à sua química, sendo inseparável do contexto, da intenção e da estrutura simbólica em que é consumida.
A bebida tem um estatuto singular entre as plantas de poder e explica sua expansão para além das fronteiras amazônicas, consolidando-a como um dos fenômenos etnofarmacológicos mais estudados e debatidos da atualidade. 3
Origem e História
Para conhecer a origem da Ayahuasca, é fundamental entender a dimensão territorial da floresta Amazônica Brasileira, que compartilha território com outros 8 países: Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Equador e Guiana Francesa. Essa vasta coabitação de diferentes origens nativas em um único bioma originou diferentes interações com toda a riqueza de fauna e flora, refletindo a diversidade cultural e espiritual de cada povo.
Apesar de não existir um consenso científico acerca de qual tribo originou a primeira interação com a Ayahuasca, sabe-se que esse uso sacramental remonta à pré-história, ocorrendo desde 2.000 Antes da Era Comum (AEC, ou AC). Mais de 72 tribos indígenas de diversas etnias diferentes foram identificadas como as precursoras do uso 4, entretanto, os primeiros relatos documentados datam no século XVIII, quando missionários Jesuítas tiveram um primeiro contato com o uso da bebida na região do Rio Napo, que fica hoje entre Peru e Equador. 5
Em um estudo publicado pelo antropólogo brasileiro Pedro Luz, destaca-se o uso da Banisteriopsis caapi (o cipó central da composição da Ayahuasca) como um fenômeno cultural pan-amazônico, ou seja, que atravessa toda a Amazônia. O artigo do antropólogo cobre três grandes famílias linguísticas que consagravam com o cipó: Pano, Aruák e Tukano, que se distribuíam entre os territórios amazônicos no Acre, Peru, Bolívia, Amazônia Central, Alto Rio Negro, Colômbia e Equador. Essa relação dos povos originários da Amazônia com o cipó jagube nos mostra como a Ayahuasca possui uma origem íntima com a América do Sul, uma medicina nascida de um bioma específico e de uma planta que não existe em nenhum outro lugar do mundo.
O autor aponta que povos com línguas completamente distintas, vivendo em regiões diferentes da Amazônia, chegaram às mesmas conclusões simbólicas sobre o cipó e seu uso:
A realidade cotidiana é limitada e ilusória
Existe um “outro lado” mais real, habitado por espíritos
A planta é o veículo para acessar esse outro lado
As visões têm status absoluto de verdade, não de alucinação
A bebida está ligada ao destino pós-morte e à imortalidade
O xamã é o mediador qualificado dessa experiência
A planta tem função pedagógica e terapêutica
Ou seja, o cipó é um elemento constitutivo da identidade cultural e cosmológica desses povos, tão fundamental quanto o fogo ou a linguagem. Para os Makuna da família linguística Tukano, inclusive, a cultura humana só surgiu quando os homens receberam o cipó. 6 Parece que não foi o homem que deu sentido à planta, foi a planta que deu sentido ao homem amazônico ancestral. É como se ela fosse parte de um inconsciente que habitava as matas e que foi absorvido pelos povos que encontrou a planta.
Diversas preparações eram feitas: algumas apenas com o cipó, outras com aditivos variados. Assim, a Banisteriopsis caapi sempre foi o eixo central na prática medicinal originária da bacia amazônica, enquanto as folhas variavam entre diferentes espécies. Eventualmente, a chacrona se consolidou como a combinação mais popular com o cipó, sendo essa a fórmula que o Santo Daime e outras tradições brasileiras viriam a difundir.
A Expansão da Medicina Através do Santo Daime
Em meados de 1930, nasceu no interior da Amazônia, no Acre, uma nova religião inteiramente brasileira conhecida como Santo Daime. Seu fundador foi Mestre Raimundo Irineu Serra, um seringueiro nascido em Maranhão - ele viria a se tornar um dos mais importantes líderes espirituais da nação. Ele havia migrado para o Acre durante o ciclo da borracha, um período de grande expansão econômica e disrupção territorial na região da Amazônia, período esse que havia chegado com muitas mudanças.
De acordo com o antropólogo Monteiro da Silva, o nascimento do Santo Daime foi uma resposta natural à crise que a população amazônica viveu naquele período. A industrialização da região não apenas explorou seus recursos, mas também a invalidou culturalmente, destruindo referências simbólicas e ameaçando a tradição daqueles povos. Após terem suas relações sociais e culturais radicalmente transformadas, surgiu a necessidade de reconstruir o laço ancestral que dava sentido às suas existências. Como um remédio contra a crise que a modernidade gerou, consolidaram-se novos credos que resguardavam a tradição local e a medicina da floresta como coração. 7
O impacto dessa resistência simbólica foi tão concreto que, cinco décadas depois, o CONFEN, Conselho Federal de Entorpecentes, constatou que adeptos dessas doutrinas eram mais respeitadores da ordem e relatavam vidas mais tranquilas e felizes do que a média da população. Essa conclusão foi determinante: em 1987, o uso religioso da Ayahuasca foi oficialmente reconhecido pelo Estado brasileiro. 8
Essa legitimidade institucional, no entanto, tinha raízes muito mais antigas, e um rosto muito específico. Antes de iniciar o Santo Daime, entre 1913 e 1915, Raimundo Irineu se mudou para Brasiléia na fronteira com a Bolívia onde buscava por seus conterrâneos que também haviam migrado para o Acre durante o ciclo da borracha - irmãos André e Antônio Costa. Irineu foi capaz de encontrar seus colegas, mas foi só alguns anos depois, por volta de 1918, que Irineu teve seu primeiro contato com a Ayahuasca nas florestas do Peru através de seringueiros peruanos apresentados por Antônio Costa. 9

Existem muitos relatos desse período de gênese do Santo Daime, entretanto, uma síntese geral com base nos relatos da biografia “Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros” demonstra que Irineu e Antônio haviam tomado conhecimento de uma bebida ancestral chamada “aoasca” que era consumida por caboclos nos seringais peruanos e juntos, viajaram para aquela região.
As primeiras experiências de Irineu com a medicina sagrada foram marcadas por um preconceito cristão que ele mesmo tinha. Havia ouvido relatos de que aquela era uma bebida consumida em rituais que invocava demônios, mas durante um breve contato com a força de sua primeira consagração, se surpreendeu com inspiradoras visões de cruzes, levando-o a questionar a verdadeira natureza daquela bebida.
Tomou a bebida em outras duas ocasiões, mas não sentiu efeito algum e quase desistiu daquela investigação espiritual que chamava por ele até que, em sessões posteriores, com uma medicina preparada pelo próprio Irineu e Antônio Costa, uma experiência verdadeiramente profunda da força se consagrou entre eles.
Uma entidade feminina se manifestou primeiro para Antônio, depois diretamente para Irineu que teve a visão desse sagrado feminino se sentando em um trono dentro da lua. Ela revelava ser uma guia espiritual que o acompanhava desde seu nascimento em Maranhão, no nordeste do Brasil. Desafiou e questionou seus preconceitos sobre a bebida e convocou-o para uma missão de profundo autoconhecimento.
Para receber suas instruções, Irineu precisou se isolar na floresta em um rito de iniciação que havia sentido em seu coração. Durante oito dias de peregrinação no coração da Amazônia e sem contato com ninguém, se alimentou apenas de macaxeira insossa e da medicina sagrada que havia levado com ele. A partir do quarto dia, estava tão imerso na força que não precisava mais consumir a medicina e as suas visões foram naturalmente se aprofundando. No oitavo dia a entidade feminina se revelou sob o nome de Clara como a Virgem da Conceição, a Rainha da Floresta que entregava para ele uma laranja - simbolizando o mundo e transferindo para ele a missão que Antônio Costa havia recusado.
Ao final de sua iniciação, já sob plena orientação da Rainha, Irineu – a partir daí “Mestre Irineu” – passou a renomear tudo aquilo que havia recém-descoberto. A “aoasca” virou “daime”, o “mariri” (cipó) virou “jagube” e a “chacrona” virou “rainha”. Nascia naquele momento, no interior da floresta amazônica, uma nova doutrina e um novo líder espiritual inteiramente brasileiros - cristãos em sua fundação, amazônicos em sua essência. 10
Naquele período de imersão espiritual, Mestre Irineu havia tido contato com uma entidade que alquimistas e místicos da Europa medieval dedicaram uma vida inteira de estudos para compreender. Guia, instrutora, portadora de missão: a Virgem da Conceição se revelava a ele como a mais pura manifestação de Sofia, o princípio feminino do conhecimento sagrado nas tradições gnósticas e alquímicas, que conduz o iniciado através da escuridão até a luz.

De acordo com o artigo “A teologia do Santo Daime na perspectiva de uma teologia pública” de Amanda Vicentini, o que se seguiu foi a fundação da doutrina Santo Daime através do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Alto Santo (CICLU - ALTO SANTO) em Brasileira, Acre - fundado por Mestre Irineu. O centro foi responsável por estruturar a doutrina de maneira que levasse cada vez mais propósito e acolhimento ao cotidiano cada vez mais sofrido da população na região, auxiliando na estruturação de um novo sentido de realidade para os frequentadores. 11 Considera-se que o centro iniciou-se de fato nas décadas de 1920/1930 quando começou a reunir os primeiros seguidores, mas a consolidação jurídica foi feita apenas no início da década de 1940.

Depois do falecimento de Mestre Irineu em 1971, Sebastião Mota de Melo, conhecido como Padrinho Sebastião recebeu a revelação de levar os ensinamentos de Mestre Irineu adiante e fundou o Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra (CEFLURIS) na Vila Céu do Mapiá, no estado de Amazonas - que se tornou o centro mais importante do Daime e foi responsável por romper barreiras regionais e nacionais, expandindo a doutrina, seus princípios e seus valores para o Brasil e para fora. 11
Após as revelações de Mestre Irineu, a Ayahuasca saiu do contexto xamânico e se organizou como uma doutrina estruturada com rituais e hierarquia, com sincretismo entre xamanismo, catolicismo popular e espiritismo. Após essa evolução, a tradição do Santo Daime se difundiu em novas vertentes como a Barquinha que une elementos de caridade cristã com a liturgia da Umbanda e a União do Vegetal (UDV) que integra o cristianismo reencarnacionista, priorizando a clareza intelectual e o aperfeiçoamento ético do indivíduo.
Tradições ayahuasqueiras além do Daime
Como podemos ver nessa riqueza histórica da Ayahuasca, a bebida constitui a matriz cultural de diferentes tradições. Até aqui, vimos que surgiu como xamanismo e mistério indígena em um período tão remoto que se faz impossível de definir. Depois se seguiu o ciclo do Daime, constituindo um xamanismo “de fronteira”, também conhecido como vegetalismo.
A partir da década de 1980, principalmente após o marco regulatório que legalizou a Ayahuasca em 1987, surgiu o “xamanismo urbano” que marcou a era da globalização da medicina. Nesse período atual, a Ayahuasca atravessa as fronteiras da floresta para se tornar uma ferramenta de autoconhecimento, terapia e pesquisa científica nas metrópoles. Isso é feito através de institutos universalistas, adaptando ritos ancestrais às necessidades e linguagens da vida contemporânea.
Preparo
DISCLAIMER
O conteúdo a seguir é um registro documental e etnográfico de práticas tradicionais associadas ao preparo da ayahuasca em contextos religiosos e culturais, sem qualquer caráter de instrução, incentivo ou recomendação. A Agency Brasil e o autor isentam-se de qualquer responsabilidade por interpretações, usos ou tentativas de reprodução das informações aqui descritas. A ayahuasca somente deve ser preparada, transportada e ministrada nos termos e parâmetros definidos pela legislação vigente em cada país, por grupos e instituições devidamente autorizados. No Brasil, o uso religioso da bebida é regulamentado pela Resolução nº 1/2010 do CONAD. Este texto não substitui a orientação de lideranças e instituições legalmente constituídas, nem de profissionais de saúde.
Muitos dos métodos conhecidos de preparo da Ayahuasca ainda são rústicos e artesanais e envolvem um trabalho manual intenso. O processo de fabricação, chamado de feitio, também integra um tratamento ritualístico e sagrado que busca tratar as plantas com cuidado e respeito - iniciando um resguardo simbólico com a bebida que chega até o buscador no momento de consumo.
Apesar de que as preparações originais na Amazônia envolviam diferentes combinações de vegetais com o cipó, nas religiões ayahuasqueiras estabelecidas, o substrato ativo é sempre a folha de chacrona, não apenas por determinações legais e doutrinárias, mas também por questões de previsibilidade e segurança nos resultados da formulação.
A maior parte da matéria-prima ainda vem da Amazônia e é levada para as diferentes regiões do Brasil em que a tradição se mantém. Após a coleta da matéria-prima em diferentes origens, se inicia um processo de seleção e limpeza do material onde as folhas de chacrona são separadas dos talos, de folhas secas, galhos, fungos ou qualquer outro material indesejável. Essa etapa conhecida como a “limpeza da rainha” envolve garantir que as folhas utilizadas no processo não possuam nenhum tipo de toxicidade ou propriedade química a não ser aquelas presentes na composição das folhas saudáveis.

A seleção do cipó também envolve um processo de limpeza onde se remove as impurezas da superfície do caule com o objetivo de remover a terra e outras sujeiras. Após a limpeza, evita-se deixar a matéria-prima em exposição direta ao sol devido ao fato de que as beta-carbolinas do cipó são compostos ativos fotossensíveis.

Após a limpeza do cipó, o material passa por um processo mecânico conhecido como bateção para romper as fibras do caule e facilitar a extração dos compostos ativos durante o cozimento. Em grandes volumes, a trituração com maquinário rural também pode ser uma opção, já que a maceração manual é exaustiva.

Assim que a matéria prima está apropriadamente limpa e selecionada, inicia-se o cozimento em água. Várias passagens são feitas com o objetivo de iniciar uma extração gradativa, onde a concentração do extrato vai aumentando até atingir uma proporção de 5:1 (volume de matéria prima em relação ao volume final do extrato concentrado) no caso do preparo do Daime ou 10:1 no caso do preparo da Ayahuasca - as proporções podem variar dependendo das tradições do feitio.
As panelas são mantidas em temperatura próxima aos 100°C, faixa onde muitos compostos ativos costumam ser degradados. Contudo, DMT e carbolinas são estáveis nessa temperatura e se mantém no chá. As panelas precisam ser constantemente mexidas durante a fase de concentração do chá para que o fundo não aqueça a temperaturas mais altas à medida que o caldo vai se tornando viscoso.
As altas temperaturas exigem muito cuidado no manuseio dos equipamentos e do material, além disso, a limpeza do espaço e dos utensílios é parte fundamental do ritual de preparo, garantindo não apenas o respeito à tradição, mas também a qualidade final do extrato - que além de todas as etapas técnicas, envolve também o estado interior daqueles que participam do processo.
Durante o preparo de cada panela, após a inserção do cipó e da chacrona, é realizada uma reza entre os participantes que visa abençoar o cozimento da nova extração. As músicas (conhecidas como hinários) cumprem um papel fundamental na ritualística e influenciam toda a experiência, principalmente para os participantes que consagram durante o feitio.
Tanto no processo de envase quanto armazenamento, alguns cuidados finais são necessários. As garrafas devem ser vedadas para evitar a fermentação que decompõe alguns dos compostos orgânicos. A medicina deve ser mantida em local fresco, seco e protegido do calor excessivo. O armazenamento adequado não apenas preserva a qualidade química do preparo, mas também garante a maturação e estabilização do extrato. Um envelhecimento prolongado nesse contexto não apresenta risco.
Ao final do feitio, costuma-se realizar uma consagração coletiva na mesma semana para consumar a conclusão desse processo sagrado que costuma durar uma ou múltiplas semanas. Assim, abençoa-se uma última vez o resultado da produção que chegará até muitas pessoas que encontrarão na Ayahuasca, um diálogo com a mãe natureza que se iniciou, em realidade, no próprio preparo da bebida.
Consagrando: Efeitos da Ayahuasca
O uso ritualístico envolve uma estrutura cerimonial que combina elementos simbólicos, coletivos e individuais, compreendida pelos praticantes como um processo simultâneo de cura física e espiritual. Nesse sentido, a planta é concebida no contexto ayahuasqueiro não apenas como substância farmacológica, mas como uma entidade “professora”, portadora de linguagem e agência, capaz de traduzir emoções antes inominadas e apontar ao buscador aquilo que precisa ser transformado em sua vida. 12
Em uma cerimônia tradicional, os buscadores são guiados pelo processo espiritual através de um rezo de abertura da sessão, consagram a medicina (ou seja, bebem o chá), e então sentam-se para o processo meditativo. A experiência com Ayahuasca inicia-se em torno de 40 minutos após a ingestão, com pico entre 60 e 120 minutos e duração aproximada de 4 horas, sem que haja perda de consciência — apenas alterações em seu estado. Na metade do ritual, é oferecida uma segunda dose opcional para os buscadores para manter a força até o final da cerimônia. A cerimônia se encerra também com rotina de preces. Após o encerramento os participantes se reúnem para partilha de alimentos e acolhimento mútuo em um momento de muita clareza mental e paz.
Para a maioria das pessoas, os efeitos da Ayahuasca são muito evidentes durante o processo meditativo de uma cerimônia. A medicina facilita e aprofunda a meditação e guia o buscador em direção ao que ele precisa ver.
Os efeitos durante a fase meditativa são profundamente diferentes entre os buscadores pois dependem do contexto individual de cada um. Contudo, é comum que os efeitos psicológicos durante o período meditativo combinem dimensões desafiadoras e dimensões expansivas. As dimensões desafiadoras trazem enfrentamento de dificuldades internas que podem culminar em purgas (como vômitos) — que muitas vezes são percebidos como momentos purificação interna. As fases desafiadoras do processo são frequentemente vivenciadas como momentos de choque e confronto com experiências traumáticas, a partir das quais ocorre uma tomada de consciência sobre padrões autodestrutivos. As dimensões expansivas, por outro lado, trazem autoconfiança, insights pessoais, experiências transcendentais, sentimentos de unidade. Também podem emergir mirações, visões únicas dos estados alterados de consciência. Essas dimensões podem se alternar em momentos de enfrentamento seguidos por mudança abrupta para estados de paz, êxtase e ressignificação existencial. 12 13
O ambiente onde o uso de Ayahuasca acontece cumpre um grande papel nos resultados do processo individual. Quanto mais bem guiado (fisicamente e espiritualmente) for o contexto, maiores são as garantias de que a experiência de um buscador seja transformadora e positiva. Acolhimento e suporte cumprem uma função fundamental no poder da Ayahuasca. 14 Por isso, contextos cerimoniais e ritualísticos fazem parte da cultura e do potencial por trás dessa bebida, que como um rito de passagem indígena, clama por um contexto sério, estruturado e protegido.
Porém, os efeitos da ayahuasca transcendem o estado meditativo que participantes de uma consagração experienciam durante o uso da medicina sagrada. É muito comum que transformações intensas e pessoais aconteçam no período que se segue da experiência de maneira que uma pessoa passa a ver o mundo e a vida em novas direções não apenas positivas, mas também persistentes.
Essas mudanças em crenças, opiniões e perspectivas íntimas da existência costumam ser acompanhadas por decisões críticas feitas pelos participantes em prol de uma vida mais saudável e segura - como por exemplo a superação de vícios, hábitos, ciclos ou relações interpessoais nocivas, em busca do despertar espiritual através da Ayahuasca.
Interação Medicamentosa e Riscos à Saúde
A Ayahuasca apresenta riscos de interações medicamentosas e interações psiquiátricas em indivíduos com predisposição a quadros psicóticos. O buscador precisa comunicar os responsáveis pela cerimônia sobre o uso de quaisquer substâncias lícitas ou ilícitas e de qualquer diagnóstico médico, principalmente os psiquiátricos.
As interações se devem à ação inibitória das beta-carbolinas sobre a monoaminoxidase (MAO) e sobre as enzimas hepáticas CYP3A4 e CYP2D6. A combinação com antidepressivos ISRSs, antidepressivos tricíclicos, opiáceos, analgésicos e medicamentos antimigranosos pode desencadear a síndrome serotoninérgica. 13
Portanto, a triagem prévia de diagnósticos psiquiátricos e uso de medicamentos e substâncias é uma etapa indispensável na condução responsável de qualquer cerimônia com Ayahuasca.

Pesquisas Científicas e Usos Terapêuticos
Muitas das dúvidas que existem em relação a Ayahuasca se devem a falta de entendimento acerca de sua origem e suas interações com o organismo humano, entretanto, universidades do Brasil e do mundo inteiro se dedicaram principalmente nas últimas décadas a estudar e entender melhor os efeitos dessa bebida considerada sagrada por diferentes culturas - e cada vez mais, considerada terapêutica por diferentes campos da ciência.
De acordo com um levantamento da base de dados de pesquisa científica Dimensions.ai, existem 19,825 publicações publicadas sobre Ayahuasca entre os anos de 1921 e 2026, entretanto, nos últimos anos pode se identificar um crescimento exponencial nas investigações científicas sobre o assunto.

Cerca de 88% de toda a produção científica indexada sobre Ayahuasca foi desenvolvida na última década e meia (2010-2026), o que aponta um crescente interesse por parte da comunidade científica nos benefícios dessa substância para a sociedade. O ano que mais se destacou foi 2023 com 2,398 publicações, representando quase o dobro do ano anterior e 48 vezes mais que o número de publicações em 2000, que foram apenas 50.

A categoria dominante de pesquisa é Ciências Biomédicas e Clínicas, seguida de Psicologia, indicando que o tema é estudado predominantemente como objeto médico e psicológico e não apenas religioso, espiritual ou antropológico. 15
Grande parte das pesquisas são sobre os efeitos farmacológicos da ayahuasca. Ela age sobre um sistema cerebral chamado de “serotoninérgico”. A serotonina é um neurotransmissor distribuído no cérebro e no corpo, atuando como regulador geral do organismo e influenciando diretamente o humor, o sono, o apetite, a percepção sensorial e diversas funções cognitivas como memória e atenção. Sua atividade ocorre por meio da liberação neural e do encaixe em receptores específicos do neurônio seguinte - como uma chave entrando na fechadura, realizando assim a transmissão do sinal. O sistema serotoninérgico é justamente a rede formada por esses neurônios, receptores e vias de comunicação que utilizam a serotonina como mensageiro, sendo nesse sistema que a ayahuasca exerce sua principal ação, imitando e amplificando seus efeitos de forma agonista, provocando alterações na percepção, na emoção e no processamento de memórias, e resultando em estados incomuns de consciência que modificam a perspectiva sobre a vida e sobre como respondemos a ela.
Além dos efeitos imediatos, a ayahuasca provoca mudanças a longo prazo por meio da plasticidade neural - a capacidade do cérebro de se reorganizar, formando novas conexões e remodelando circuitos relacionados à emoção, à memória e ao comportamento. Esses efeitos duradouros se expressam em melhorias na regulação emocional, como a maior capacidade de lidar com emoções negativas e redução da ruminação mental, além de mudanças de perspectiva sobre a vida. Em contextos acompanhados de psicoterapia, observa-se ainda a remissão de sintomas depressivos, de ansiedade e a ressignificação de traumas, mesmo após poucas sessões.
Ressalta-se, contudo, a importância do contexto terapêutico, da preparação pré-cerimônia - conhecida pelo termo set and setting - e da integração pós-cerimônia. A preparação envolve práticas como dietas, meditação e a redução de medicamentos que possam interagir com a farmacologia da ayahuasca. Já a integração posterior, por meio de autocuidado, escrita, psicoterapia e meditação, potencializa os efeitos neuroplásticos de longa duração e reduz o risco da não integração de conteúdos traumáticos - situação em que o indivíduo entra em contato com experiências difíceis sem conseguir processá-las ou ressignificá-las adequadamente, reforçando assim a importância da autoanálise e do suporte especializado. 3 13 14
Outras linhas de pesquisa sobre a ayahuasca são voltadas para seus efeitos clínicos. Muitos dos estudos clínicos disponíveis hoje investigam principalmente os impactos terapêuticos da Ayahuasca em condições como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtornos por uso de substâncias. Entretanto, uma boa parte do material ainda é muito limitado por pesquisas com problemas metodológicos. Uma revisão sistemática recente de 2026, que analisou 18 estudos que mediram os efeitos da Ayahuasca ao longo do tempo (desde antes da cerimônia até meses depois), envolvendo um total de 1.363 participantes, apontou para resultados positivos em diferentes domínios terapêuticos. 16
Risco de suicídio: Em um estudo com 37 participantes (dos quais 8 apresentavam risco de suicídio), 7 pacientes com risco se resolveram após uma única cerimônia.
Depressão: Em um estudo com 40 participantes, 61% dos participantes com diagnóstico psiquiátrico deixaram de preencher os critérios da doença após 1 mês da primeira consagração. 83% relataram melhora clínica. Em outro estudo com 37 participantes, a pontuação média de depressão caiu de 15.7 para 5.1 após pelo menos uma cerimônia de Ayahuasca.
Ansiedade Em um estudo com 37 participantes, a pontuação média de ansiedade caiu de 16,6 para 6,3 após pelo menos uma cerimônia de Ayahuasca.
Transtornos por uso de substâncias: Em um estudo com 12 participantes, houve redução no uso de álcool, tabaco e cocaína por parte de alguns participantes, mas cannabis e opioides seguiram sem alteração.
Bem-estar e qualidade de vida: Dentre 4 estudos e 125 participantes, foram observadas melhorias persistentes em acompanhamentos de 6 a 12 meses.
Regulação Emocional: Dentre 5 estudos e 347 participantes, houve melhoras na capacidade de regular emoções e lidar com adversidades - confirmadas mesmo em um estudo que controlaram para o efeito placebo.
Foco e clareza mental: Dentre 5 estudos e 399 participantes, observou-se um aumento na capacidade de atenção plena (mindfulness) e uma redução na reatividade emocional, com benefícios sustentados por até 2 meses. Tais mudanças foram corroboradas por dados de neuroimagem, que demonstraram alterações na conectividade funcional de redes cerebrais ligadas ao controle cognitivo e à introspecção.
Essa revisão sistemática mostra como a Ayahuasca guarda muitos potenciais terapêuticos para diferentes esferas da saúde humana, entretanto, como mencionado anteriormente, a maior parte das pesquisas sobre o assunto foram realizadas nos últimos 16 anos, o que é um tempo curto para as pesquisas. Isso significa que ainda existe muito espaço para estudos e análises que incluam grupos de amostragem maiores; mais controle em questão de dosagem e grupos; e principalmente mais diversidade em relação aos pacientes selecionados.
Em resumo, uso ritual e religioso da Ayahuasca está consistentemente associado a desfechos psicológicos e sociais positivos: remissão de transtornos de ansiedade, depressão e dependência de álcool e outras substâncias, melhora no humor, maior autoconsciência, empatia e criatividade, além de melhor desempenho cognitivo e de memória - sem evidências de risco neuropsicológico mesmo no uso prolongado. Embora seja difícil isolar os efeitos farmacológicos da substância dos benefícios proporcionados pelo pertencimento comunitário e pelo contexto ritualístico, os dados apontam que a combinação desses elementos produz transformações profundas e duradouras, incluindo maior propósito de vida, redução de comportamentos autodestrutivos e aumento do bem-estar psicossocial geral. 13
Considerações e Responsabilidade
O Brasil é um dos poucos países onde o uso ritual da Ayahuasca é expressamente legal e regulamentado. O CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas) emitiu a Resolução nº 1/2010, que permite o uso ritual da Ayahuasca após décadas de debates e estudos - caracterizando, juridicamente, casas de Ayahuasca como “espaço de uso ritual religioso e centro de pesquisa e documentação sobre uso ritual”.
Considerando isso, o uso de Ayahuasca só deve acontecer dentro do contexto ritualístico, pois cada cerimônia realizada por uma instituição credenciada é um processo sério e profundamente pessoal para cada pessoa participante, e por isso, deve acontecer dentro de um contexto seguro e preparado. Reconhecer o caráter religioso de todos os atos que envolvem a Ayahuasca significa que o participante deve envolver-se com a convicção de que pratica o ato de fé e não de comércio ou recreação.
De acordo com o Relatório Final do Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT), aprovado pelo CONAD em dezembro de 2006 e incorporado como anexo integral da Resolução nº 1/2010, a vedação da comercialização da Ayahuasca não se confunde com seu custeio, sendo permitido o pagamento das despesas que envolvem a coleta das plantas, seu transporte e o preparo. Tais custos de manutenção, conforme seja o seu modo de organização estatutária, são suportados pela comunidade usuária.
Além disso, o relatório menciona também que o uso ritual caracterizado pela busca de uma identidade religiosa se diferencia do uso meramente recreativo, e é por isso que é fundamental que um participante busque sempre um espaço com experiência e tradição para que ocorra um acolhimento adequado e cerimonial. Antes da primeira consagração deve ser realizada uma entrevista prévia, oral ou escrita, para averiguar as condições do interessado e se ele está apto para participar. Também devem ser dados os esclarecimentos necessários acerca dos efeitos naturais da bebida. É muito importante que cada entidade (ou casa de Ayahuasca) acompanhe os participantes até a finalização de seus rituais.
O relatório da CONAD se conclui então afirmando que o uso ritualístico religioso da Ayahuasca, há muito reconhecido como prática legitima, constitui-se manifestação cultural indissociável da identidade das populações tradicionais da Amazônia e de parte da população urbana do País, cabendo ao Estado não só garantir o pleno exercício desse direito à manifestação cultural, mas também protegê-la por quaisquer meios de acautelamento e prevenção. 17
Conclusão
O termo “Ayahuasca” não é apenas um nome ancestral herdado por nós dos povos originários da América Latina, mas sim, um símbolo de resistência da mãe natureza que resguarda suas tradições. É o poder herbal transformador da vasta e rica vegetação, que sempre fizeram parte da evolução humana, mas que conforme nos tornamos mais urbanos, acabamos por deixar de lado.
Como um presente deixado pela mãe natureza às terras brasileiras, a Ayahuasca representa uma mistura sinérgica sagrada de plantas cujo a receita foi encontrada pelas sociedades indígenas até que eventualmente encontrou seu caminho nos centros urbanos espalhados pelo Brasil e que agora, alcança horizontes mundiais através do universo científico, que se encontra cada vez mais interessado pelo seu poder medicinal, mas também espiritual.
Apesar de que se entende cada vez mais sobre a composição e os efeitos da Ayahuasca, ela ainda carrega um poder anímico que transcende o nosso entendimento científico sobre a natureza. Assim como Mestre Irineu encontrou a sua força isolado na floresta, existe uma força sagrada que brilha como a luz do sol dentro de cada um de nós - nos cabe apenas começar a buscar para que em algum momento ela venha ao nosso encontro, pois aquele que busca, em algum momento há de encontrar.
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